ABCBP

Associação Brasileira de Criadores de Bovino Pantaneiro

A fundação de uma Associação de Criadores de Bovino Pantaneiro (ACBP) é fundamental para que haja um avanço em relação ao registro da raça junto ao Ministério da Agricultura Pecuária e Abastecimento (MAPA), promovendo a valorização da raça, possibilitando a comercialização de produtos com agregação de valor (marca, indicação geográfica, indicação de origem protegida) e com isso estimulando o interesse de outros produtores em criar os animais. A associação deve ser a representação e defesa de criadores de bovinos da raça Pantaneiro; estabelecendo os padrões fenotípicos da raça, fazer o registro genealógico, reunir e cadastrar criatórios como forma de promover o desenvolvimento e o melhoramento do rebanho e incentivar os estudos sobre esses animais.


Estudo atestará origem genética do bovino Pantaneiro nas Américas

Publicada em: 22/05/2013

Estudo conduzido por pesquisadores da Embrapa Pantanal (Corumbá, MS), unidade da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária, vinculada ao Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (MAPA) e do Instituto de Ciências Biológicas da Universidade Federal de Minas Gerais (ICB/UFMG) busca determinar a origem genética do bovino Pantaneiro nas Américas. A partir de analises citogenéticas do cromossomo Y dos bovinos, os pesquisadores terão condições de caracterizar a raça, determinando se o bovino Pantaneiro é, de fato, originário da Europa. O resgate dessa informação servirá tanto para o conhecimento dos componentes genéticos da raça como também para sua conservação e preservação na região. Esta é a primeira vez que são realizados estudos de citogenética da raça bovina Pantaneira.
Doutor em citogenética animal pela Universidade da Califórnia, nos Estados Unidos e livre docente da Universidade Federal de Minas Gerais, o professor Wilham Jorge, acredita que o estudo pode trazer importantes revelações nas áreas de reprodução e fertilidade bovina. Ele explica que, no passado, imaginava-se que o cromossomo Y servisse apenas para determinar o sexo do animal. Estudos mais recentes, mostram que apenas uma porção do cromossomo Y é responsável pela formação do testículo do bovino. “Isso mostra que ainda temos informações desconhecidas nesse campo cujas respostas podem estar no resgate genético da ancestralidade dos animais”, avalia.
O professor cita como exemplo, estudos feitos com animais das raças Caracu e Curraleiro, também conhecido como Pé Duro – animais ainda existentes nos estados do Piauí e de Goiás e que, no momento, encontram-se em processo de expansão nessas regiões. A avaliação genética dessas raças comprovou que ambas apresentam polimorfismo no cromossomos Y, ou seja; a presença de cromossomos Y acrocêntrico, característico da raça zebuína como também os submetacêntricos, da raça européia. “Esse resultado nos surpreendeu, pois esperamos encontrar apenas cromossomos de animais taurinos, que caracterizam a raça européia, e encontramos os dois tipos”, ressalta Wilham Jorge. Ele destaca ainda que nos animais da raça Curraleiro o cromossomo Y acrocêntrico foi introduzido através de cruzamento com a raça Zebu.
Para o pesquisador da Embrapa Pantanal, José Robson Bezerra Sereno, as informações são fundamentais para compreender as potencialidades dos animais, particularmente, com relação aos aspectos reprodutivos. Doutorado em Melhoramento Genético Animal, pela Universidade de Córdoba, na Espanha, ele acredita que a pesquisa genética com o bovino Pantaneiro traz uma perspectiva de conservação importante para a raça, cuja adaptabilidade ao Pantanal Brasileiro é considerada seu principal diferencial. “O Pantanal é um ambiente cujas características físicas exigem graus de desempenho diferenciado dos animais, especialmente com relação às condições de manejo”, complementa o pesquisador, ressaltando que pesquisas da Embrapa Pantanal mostram a existência de onze “pantanais”, cada um com suas peculiaridades.
A primeira etapa do projeto acontece nessa semana, quando os pesquisadores José Robson Bezerra Sereno e Wilham Jorge seguem para a Fazenda Nhumirim, campo experimental da Embrapa Pantanal na área da Nhecolândia, onde será realizada a coleta de sangue dos animais. Para garantir a conservação do material genético contido nas amostras, a coleta será realizada pela manhã, possibilitando que a equipe siga viagem ainda no mesmo dia para a cidade de Belo Horizonte, MG, onde as culturas e as amostras laboratoriais serão analisadas no ICB/UFMG. Os primeiros resultados dessa analise só devem ser obtidos dentro de, no mínimo, um mês – quando os cromossomos começam a ficar visíveis, graças aos processos de divisão celular.
“Acreditamos que este estudo inicial possa apontar novos caminhos a serem trilhados em prol da conservação dos Recursos Genéticos Animais do Brasil e também sirva para ampliar o conhecimento sobre as raças naturalizadas brasileiras ameaçadas de extinção”, afirma José Robson Bezerra Sereno.
O projeto de pesquisa é financiado pela Fundação de Apoio ao Desenvolvimento do Ensino, Ciência e Tecnologia do Estado de Mato Grosso do Sul (Fundect) e realizado graças a parceria entre os pesquisadores da Embrapa Pantanal e do ICB/UFMG. Neste trabalho ainda estão envolvidos os estudantes Érica Issa, que desenvolve sua tese de mestrado na área pelo Departamento de Genética da Unesp, campus de Botucatu (SP), e Pedro Menezes, bolsista de Iniciação Científica do CNPq, estudante de Biologia do ICB/UFMG.


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Embrapa publica nota técnica - Publicada em: 25/08/2014

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